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Cadeias de ouro da virtude ou cadeias de ferro do vício, são sempre cadeias. PDF Imprimir e-mail
No tempo do Buda, um monge teve relações com uma monja; um outro monge viu e, como chantagem, conseguiu que a monja se entregasse também  a ele. Esta, horrorizada  por ter violado duas vezes o preceito da castidade, suicidou-se. Este suicídio mergulhou os dois monges na mais cruel perturbação, conscientes que estavam de terem sido responsáveis. Não sabendo que fazer, foram procurar Upali, o guardião de Vinaya, código das regras monásticas. Upali ouviu-os e indignou-se ao ponto de correr com eles da comunidade, por estes dois crimes: ter seduzido uma monja e tê-la conduzido ao suicídio.      Desesperados, os dois monges que, apesar do crime, tinham um grande desejo de adquirir a sabedoria, resolveram procurar Vimalakirti e contaram-lhe a sua terrível história. Vimalakirti disse-lhes: «A vossa falta está em continuarem a pensar nisso. O mau acto que cometeram pertence ao passado. Vocês já se arrependeram, não pensem mais nisso. O vosso pensamento de agora não consegue fazer com que o facto não tenha sido cometido. Não o façam reviver, pensando nele. Concentrem-se no presente e renasçam a cada instante. Permaneçam na via que escolheram, concentrem-se nos esforços para descobrir a verdade.»
     Eles seguiram estas conselhos e tornaram-se arhats. Se estes dois monges fossem virtuosos, talvez tivessem adormecido na sua virtude. Pois a virtude é por vezes um conforto. O crime deles, ao destabilizá-los, encaminhou-os à sabedoria. Cadeias de ouro da virtude ou cadeias de ferro do vício, são sempre cadeias.
 
Do livro: Taisen Deshimaru, Verdadeiro Zen, Editora Assírio & Alvim
 
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